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Rúben Ribeiro: «Passei o Mundial de Clubes a chorar por não poder jogar»

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Aos 33 anos e após uma temporada de grande nível na Turquia, com o Hatayspor, Rúben Ribeiro carrega as energias em Portugal e olha com a ambição de um menino para a próxima época. Não sabe onde jogará, mas pretende lutar por títulos e continuar a ser feliz em campo. Com a bola, a amiga de sempre. 

Em grande entrevista ao Maisfutebol, Rúben fala nesta parte das aventuras em Hatay, uma cidade que ficou famosa por ser o palco do filme ‘Indiana Jones e a Última Cruzada’, em 1989, mas também da péssima experiência vivida no Al-Ain, nos Emirados Árabes Unidos, onde até foi impedido de jogar o Mundial de Clubes. O talentoso médio explica os motivos. 

Um homem maduro, de convicções fortes e capaz de dizer o que realmente pensa. Uma raridade.

PARTE II: «Ganhei em tribunal e nada tenho a pagar ao Sporting»

PARTE III: «Recusei o FC Porto e o Benfica para poder jogar no Sporting»

PARTE IV: «Fui agredido no meu posto de trabalho em Alcochete»

Maisfutebol – Como é que surgiu a possibilidade de jogar no Hatayspor, da Turquia?

Rúben Ribeiro – A primeira vez que recebi um convite da Turquia foi em 2018, quando estava a sair do Sporting. O Rizespor ofereceu-me um contrato de quatro anos no valor de quatro milhões de euros. O Sporting não me queria deixar sair para lado nenhum. Isso foi no verão de 2018. Na altura fiquei entusiasmado, pesquisei tudo sobre a Turquia. Sei que chegaram a fazer e a vender camisolas com o meu nome, os diretores do clube diziam ao meu empresário que se eu fosse para lá faziam uma estátua minha na cidade, era uma forma de me convencer. Acabei por não ir. Dois anos depois voltei a receber um bom desafio de lá.

MF – Saiu dos EAU, fez meia época de bom nível no Gil Vicente e foi para Hatay.

RR – E não joguei nos seis meses anteriores à minha chegada a Barcelos. No Gil Vicente tudo me correu bem. O falecido Vítor Oliveira foi o treinador que me lançou no Leixões e conhecia-me muito bem. O presidente do Gil sabe que eu fui para lá porque o treinador era o Vítor Oliveira. Gosto e tenho carinho pelo Gil, tive um bom desempenho, a equipa também. Sei que o treinador do Hatayspor exigiu o meu nome à direção, eles abordaram-me e chegámos a acordo. Mas não foi fácil. O meu contrato andou cinco ou seis vezes para a frente e para trás.

MF – As condições não agradavam?

RR – No início, não. Fiz um ultimato: se não me oferecerem isto e aquilo, não vou. Valeu a pena, o clube cumpriu com tudo o que estava apalavrado. Assinei por duas temporadas.

MF – Vai ficar mais uma época no Hatayspor?

RR – Já recebi sondagens dos Emirados e da Arábia Saudita. Gostaria de sair do Hatayspor. Fiz uma época muito boa, muito satisfatória. Foi a estreia do clube na I Liga e quase que fazíamos história, ficámos muito perto da Liga Europa. Ninguém esperava uma época tão boa. Fui importante dentro e fora do campo, criei uma relação muito forte com os meus colegas e a equipa técnica. Foi bom, mas sinto que foi um ciclo que acabou.

MF – Encontrou boas condições de trabalho?

RR – Há muitas coisas para melhorar. O clube vinha com alguns vícios da segunda divisão. Quer crescer, tratou-me bem, nunca me faltou nada e foi bom. Gostei da Turquia porque aquele povo ama o futebol, é mesmo fanático. Tantas e tantas vezes a Polícia me mandou parar o carro.

MF – Para o multar?

RR – Não, não. Reconheciam-me e pediam para tirar fotografias comigo (risos). Senti-me muito valorizado, muito acarinhado. Na rua era tratado como um ídolo, gostei mesmo de estar lá, apesar da cidade ter muitas limitações.

MF – Hatay fica encravada entre a Turquia e a Síria. Sentiu alguma vez medo pelo conflito que existe no país sírio, assistiu a alguma situação mais perigosa?

RR – Rigorosamente nada. Houve um enorme incêndio na cidade, mas não teve nada a ver com os problemas que existiam na Síria. O pior foi mesmo a qualidade da rede elétrica. A luz estava constantemente a falhar. A luz e a internet. Eu estava lá sem a família e muitas vezes fiquei sem televisão, sem luz em casa. Quando isso acontecia, lá tinha eu de ligar os dados de telemóvel e ir para o carro. Ligava a luz interior do carro para a minha mulher e os meus filhos me verem, era a única possibilidade (risos). Gostei muito mais de estar na Turquia do que nos Emirados. No Dubai, onde vivia, a qualidade de vida era muito boa, mas o campeonato não era nada competitivo.

MF – E como é que o Rúben acabou a jogar a médio-defensivo? Foi uma novidade na carreira.

RR – Na primeira jornada ganhámos ao campeão Basaksehir, joguei a extremo e fui o melhor em campo. Depois fui duas vezes expulso, por acumulação de amarelos e sempre em situações… absurdas. Saí da equipa, houve uma paragem imposta pela pandemia e quando voltámos a equipa estava com muitas baixas. O treinador falou comigo, perguntou-me se podia ajudá-lo e propôs-me um lugar no duplo pivô do meio-campo. Entrei na equipa para jogar como um 6/8 e nunca mais saí. Disse-lhe que ia dar o máximo numa posição que me era estranha e correu bastante bem, sinceramente.

MF – Nos Emirados não correu tão bem. Logo depois de rescindir com o Sporting, por justa causa.

RR – Fui para lá muito fragilizado. O Sporting não aceitava a minha saída, nem a minha rescisão [por justa causa]. Até que me surgiu a possibilidade de jogar no Dubai. Nunca tinha jogado fora de Portugal. Assim que assinei pelo Al-Ain, o Sporting colocou o clube em tribunal e fiquei seis meses sem jogar, à espera. Fui para lá com o objetivo de jogar o Mundial de Clubes e o Sporting não o permitiu. Foi muito duro para mim. Passei os jogos todos a chorar, ainda por cima fomos à final contra o Real Madrid. Estava no hotel ao lado do estádio. A equipa preparava o Mundial e eu ali, impedido de jogar. Foi horrível. Lembro-me de estar sentado no chuveiro, a água a cair e eu a chorar.

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