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Rúben Ribeiro: «Fui agredido no meu posto de trabalho em Alcochete»

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Aos 33 anos e após uma temporada de grande nível na Turquia, com o Hatayspor, Rúben Ribeiro carrega as energias em Portugal e olha com a ambição de um menino a próxima época. Não sabe onde jogará, mas pretende lutar por títulos e continuar a ser feliz em campo. Com a bola, a amiga de sempre. 

Nesta parte da grande entrevista ao Maisfutebol, Rúben volta aos dias negros da invasão a Alcochete e relata em pormenor o que a família sofreu, até ao dia em que decidiu rescindir o contrato com o Sporting. Um testemunho forte e emocionado, três anos após o terrível dia vivido na academia leonina.

PARTE II: «Ganhei em tribunal e nada tenho a pagar ao Sporting»

PARTE I: «Passei o Mundial de Clubes a chorar por não poder jogar»

PARTE III: «Falei com o presidente Vieira no dia em que assinei pelo Sporting»

Maisfutebol – O balneário do Sporting começou a temer que algo de mau podia acontecer em Alcochete?

Rúben Ribeiro – Sentíamos que algo podia acontecer, sim. Quase todas as semanas havia algum episódio mau com um grupo de adeptos. Foi mau. Mesmo as conversas do grupo com o presidente eram más. Não tínhamos paz. Sabíamos que não ia correr bem, mas ninguém adivinharia que algo tão grave acontecesse. Mas aconteceu. Lembro-me de falarmos no balneário sobre uma mensagem que andava a circular e que dizia que os adeptos tinham as nossas moradas e matrículas dos carros.

MF – O Rúben tinha a sua família consigo?

RR – Sim, porque pensava que ia ficar lá muitas épocas. Era essa a ideia. Vivíamos em Montijo, porta com porta com o Bruno Fernandes. Íamos sempre juntos para o treino. O Bruno é mesmo daquelas pessoas boas, um irmão que ganhei no futebol. Fico muito feliz pelo que está a viver, é um exemplo de jogador e amigo. Merecia ter sido campeão no Sporting. Já disse que ele pode vir a lutar por uma Bola de Ouro e mantenho a ideia.

MF – Foi agredido na invasão ao balneário de Alcochete?

RR – Sim, fui. Um dos invasores deu-me um estalo. E não era um rapaz pequeno. Estávamos a equipar-nos para treinar. Lembro-me que estava a calçar as chuteiras e de começar a ouvir os gritos. A minha família passou horrores. A minha esposa começou a imaginar que anda a ser seguida. E ainda tivemos de ir jogar a final da Taça de Portugal. Uns queriam jogar, outros não queriam, outros queriam ir logo embora. Treinámos uma vez no Jamor e jogámos.

MF – Quando é que decidiu avançar com a rescisão por justa causa?

RR – Falei com a minha família, primeiro, e decidimos que não havia condições de segurança para nós em Lisboa. Pelo que se estava a passar e por aquilo que podia vir a passar-se. Os meus filhos foram ameaçados no colégio. Foi o limite. Senti que não havia condições. Tenho muita pena, porque gostava de ter continuado. Se apanhasse um treinador com o Ruben Amorim ainda podia estar no Sporting. Jovem, ambicioso, inteligente, valoriza os seus jogadores e colocou a equipa a jogar como gosto. Este Sporting nada tem a ver com o Sporting que conheci. Fui agredido no meu posto de trabalho. Não há dinheiro que pague o pavor que eu vi nos olhos da minha família. Recusei o FC Porto e o Benfica para jogar no Sporting, e depois tive de voltar à estava zero. Para estar seis meses no Dubai sem poder jogar.

MF – Nunca teve uma oportunidade na Seleção Nacional.

RR – Nunca tive. O meu maior foco era chegar a uma equipa grande. Lá chegado tinha de jogar e render. Não aconteceu. A esta distância, acho que se tivesse ficado no Rio Ave até ao verão de 2018, e a jogar como estava a jogar, exigiria de mim mesmo uma chamada à seleção [para o Mundial da Rússia]. Nunca fui às seleções nacionais, nem sequer à seleção distrital da AF Porto. Quem não gostaria de jogar um Europeu e um Mundial? Não aconteceu.

MF – Aos 33 anos, o que espera ainda o Rúben do futebol?

RR – Desejo ter saúde, desejo não ter lesões e representar clubes que lutem por títulos. Tive um grande ano na Turquia, fui dos melhores médios do campeonato. Inspirei-me muito no Costinha e no Bruno Fernandes, duas grandes referências para mim. Um ‘6’ e um ‘8’. Nunca pensei nessas posições, mas o treinador pediu-me e eu entendi o momento da equipa. Ajudei para ser ajudado. Ainda tenho fome pelo jogo, pela bola. A postura tem de ser essa. Lutar sempre por uma grande classificação. Achei muito interessante o meu ano na liga turca, superou as minhas expetativas. Ganhámos ao Galatasaray e marquei um golo, esses jogos motivam-me muito. Trato-me bem, cuido bem do meu corpo, descanso e alimento-me, por isso tenho condições para jogar mais uns anos a um bom nível.

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