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«No Estrela e no Estoril ia para não perder, aqui é que é mesmo para ganhar»


Portugal, França, Alemanha e Hungria. É este o grupo da Seleção Nacional do Euro 2020, que começa no próximo dia 11 de junho.

Em entrevista à TVI, Fernando Santos assume a dificuldade do grupo e fala da diferença que fez vencer o Euro 2016, já que agora a equipa das quinas é olhada com os outros olhos pelos adversários.

«Os nossos adversários pensam o mesmo de nós, e essa é uma grande diferença em relação a 2016. As grandes potências do futebol sempre olharam para Portugal como um adversário perigoso, mas que não conseguia ganhar. É um bocado o contrário da história da Alemanha: ‘O futebol é 11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha’. Os adversários tinham respeito a Portugal, mas não acreditava que ganhássemos. A partir de 2016, olham para nós também como candidatos», afirmou.

Para mim são equipas semelhantes [Portugal, França e Alemanha]. Acho que há seis/sete equipas que estão num patamar muito perto uma das outras. Não podemos dizer que somos melhores do que a França, mas a França também não pode dizer que é melhor que nós. E a Alemanha igual. São equipas fortíssimas e vamos ter de estar no nosso limite. Mas atenção a este Euro, a Hungria é muito perigosa, e joga em casa», continuou.

Apesar da dificuldade do grupo, Fernando Santos reitera que o objetivo é vencer todos os jogos: «O princípio da Seleção Nacional é vencer sempre. Quando treinava o Estrela da Amadora ou o Estoril também dizia que ia para ganhar, mas a maior parte das vezes ia para não perder. Um Estoril-Benfica, dizes o quê: ‘Vamos lá para ganhar’? Não, vamos lá para tentar ganhar. Defender bem, e pode ser que num contra-ataque dê para marcar. Mas aqui na Seleção Nacional entramos sempre ganhar.»

«O jogo da Hungria é de uma importância grande, numa competição curta um resultado menos conseguido pode alterar tudo. Ainda por cima neste grupo, em que há três equipas candidatas ao título no mesmo grupo. E este Europeu é especial, há 11 equipas que vão jogar em casa, claro que isso traz vantagens. No nosso grupo, a Hungria joga dois jogos em casa, e a Alemanha joga três. Isto altera os dados, claramente. O fator público é importante. A Hungria é uma seleção que nos criou muitas dificuldades em 2016, para mim foi a única equipa que nos podia ter eliminado do Euro. É uma equipa que eu acho que esteve muito bem em 2016, depois teve uma quebra e agora está a voltar a um nível alto. Os jogadores são bravos, nunca desistem do jogo, e jogam em casa: somando estes aspetos, claro que a Hungria será um adversário muito difícil. Agora, se formos iguais a nós próprios, podemos ganhar. Com a França e com a Alemanha somos equivalentes, mas a Alemanha iniciou uma renovação na Taça das Confederações em 2017, mas depois voltou atrás. Chamou alguns jogadores de volta, e agora ainda voltou mais atrás, ao chamar o Hummels e o Muller. Há aqui algumas questões que temos de ver. São muitos talentosos. Mas isso não me assusta nada, zero. Mas respeito claro que tenho», analisou.

Fernando Santos falou ainda sobre a gestão de Cristiano Ronaldo e lembrou uma história antiga do avançado da Juventus para exemplificar o que é «ser Ronaldo».

«O Cristiano comigo nunca jogou à esquerda. Este Cristiano, que continua a ser o melhor do mundo, tem de ser potenciado. Se eu meto o Cristiano à esquerda, não vou dar-lhe uma ação defensiva, porque se ele vier atrás do lateral, depois não o tenho onde quero. Agora, se não lhe dou essa ação, terei de encontrar uma solução. No Mundial, jogou ele e André Silva algumas vezes, outras jogou com o Guedes», lembrou.

«O que é ser Cristiano Ronaldo? Ambição, vontade, determinação, humildade, trabalho e concretização e sonhos. Acho que ele define isso muito bem. Ele explica ao longo da vida como concretizar o sonho. Sentado não vai resultar. O sonho concretiza-se porque com 14/15 anos atravessa a rua com uns pesos nas pernas quando o semáforo está amarelo para passar mais rápido do que os carros. Acho que isso representa Cristiano Ronaldo», atirou.



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