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Euro 2020: Turquia-Itália, 0-3 (crónica)


Buongiorno, principessa. Apetece citar Guido Orefice, a personagem eterna de Roberto Benigni em A Vida é Bela, para cumprimentar esta seleção de Itália. Uma versão que é, na verdade, uma revisão histórica dos pilares que sustentaram o futebol transalpino durante décadas. 

Esta squadra azzurra de Roberto Mancini rejeita o cinismo, a manipulação, o catenaccio. A vitória em Roma contra a Turquia, em jogo de abertura do Euro 2020, teve tudo o que noutros tempos os transalpinos rejeitavam. Tudo menos os golos, claro. 

Esta Itália fez 24 remates, teve 62 por cento de posse de bola, quis amassar a Turquia desde o apito inicial e só pecou na demora em fazer o primeiro golo. Por esta primeira amostra, e já colocando na equação a debilidade turca, esta Itália tem qualidade para ser candidata ao título europeu. 

O AO MINUTO e a FICHA DE JOGO do Turquia-Itália 

La bella Italia, quem diria? Passes curtos, futebol apoiado, tudo muito pensado e normalmente bem executado. Na primeira parte, é verdade, Lorenzo Insigne e Ciro Immobile decidiram demasiadas vezes mal na frente, mas as cartas estavam todas na mesa e era uma questão de tempo até aos trunfos saírem. 
 
A resistência otomana durou 53 minutos. O infortúnio de Demiral, antigo jogador do Sporting, soltou os berros nas bancadas romanas, com um quarto da lotação preenchida. Houve cor no público – que saudades! – e continuou a haver cor na relva. 

A partir do 1-0, percebeu-se que mais golos apareceriam. O goleador Ciro Immobile aproveitou uma defesa difícil de Çakir para fazer o 2-0 aos 66 e Lorenzo Insigne, depois de tanto perdoar, lá fechou as contas aos 79. 

Pareceu tudo fácil, tudo natural, para uma equipa que tem prazer em jogar futebol. Apoiada nos dinossauros Bonucci e Chiellini (somam mais de 200 internacionalizações entre eles), a Itália pressentiu a debilidade da Turquia e explorou a profundidade dos laterais (Spinazzola melhor do que Florenzi e Di Lorenzo) e a mobilidade do trio da frente, Berardi-Immobile-Insigne. 

Esta Itália não é carrancuda, nem mostra vontade de exibir expressões feias. Parece ter gosto com a bola e com o jogo, parece sorrir no campo. Um surpreendente revisionismo histórico, responsabilidade de um esteta de outros tempos, Roberto Mancini. 
 



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