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«Levámos 10-0 do Benfica e mesmo assim fui contratado»


Aos nove anos, Miguel Cardoso foi descoberto pelo Benfica no pequeno Rio de Mouro. E nem uma goleada de dez a zero fez os responsáveis das águias mudar de ideias sobre o avançado do pequeno clube. 

Miguel passou oito temporadas no Benfica, cruzou-se com centenas de jogadores talentosos, mas nenhum o marcou tanto como Bernardo Silva. Tudo para conferir nesta entrevista de fim de época ao Maisfutebol.

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Maisfutebol – Como surgiu o futebol federado na vida do Miguel?

Miguel Cardoso – O meu irmão jogava no Rio de Mouro e comecei a ir vê-lo jogar. O bichinho de ir lá para dentro [do campo] apanhou-me muito cedo. E os meus pais lá me inscreveram no Rio de Mouro, era mesmo muito pequeno. O meu pai jogou como amador, não passou disso. Ele era designer gráfico e a minha mãe era contabilista, vivíamos mesmo em Rio de Mouro.

MF – Como é que o Benfica descobriu quando tinha só nove anos?

MC – A história é engraçada. As pessoas do Benfica já tinham falado com os meus pais, mas eles não me disseram nada para eu não ficar muito entusiasmado. Mas sei que fui para o Benfica depois de levarmos 10-0 deles (risos). Eu já jogava pelos infantis do Rio de Mouro e disseram-me que ia para o Benfica depois dessa goleada. Acredito que não me escolheram por culpa da exibição nesse jogo.

MF – Com quem jogou na formação do Benfica?

MC – Apanhei grandes jogadores. O Bernardo Silva, principalmente. Cheguei e o Bernardo já lá estava. Jogámos sempre juntos até eu sair na transição de juvenil para júnior. Apesar de ser sempre um dos mais pequeninos, aquele pé esquerdo dele… honestamente, não me surpreende o sucesso que está a ter. Vai ficar nesse patamar máximo durante muitos mais anos.

MF – Havia alguém que se equiparasse ao Bernardo em talento puro?

MC – O Bernardo era o que mais se destacava em talento puro. Nem é fácil nomear mais um. Às vezes o talento dele até nem era correspondido em minutos de jogo, talvez por ser mesmo o mais franzino. Os treinadores achavam que só a qualidade não bastava.

MF – E dos treinadores com quem trabalhou, destacaria algum?

MC – Gostamos sempre mais dos que nos metem a jogar, não é? Gostei do treinador que apanhei nos juniores do Casa Pia, o Casimiro Fragoso. E depois estive no Real [Massamá] um treinador que me dava muito na cabeça e que me ajudou muito. O João Gonçalves. E depois ainda fui aos seniores, quando ainda era júnior, com o mister João Silva. Gostava muito de mim. Gostei do Miguel Soares, no Benfica. Do Bruno Lage, claro. Tive a sorte de trabalhar sempre com gente competente.

MF – Nunca teve um convite para jogar num dos três grandes em Portugal? Ou pelo menos no Sp. Braga ou no V. Guimarães?

MC – Nunca tive essa possibilidade, não. Gostava, diria que é um dos meus objetivos jogar num dos maiores do meu país. Mas até agora não tive essa felicidade. Acho que se tivesse uma oportunidade as coisas poderiam dar certo. Tenho 26 anos, estou a tempo de conquistar muita coisa.

MF – Qual é a história sobre o futebol que mais gosta de contar aos amigos e à família?

MC – Gosto de recordar o dia em que fui ganhar à Luz pelo Tondela. Ganhámos 3-2 e marquei dois golos. Esse é um jogo que surge muitas vezes à mesa, apesar de eu nem gostar muito de falar sobre futebol (risos). É um dia marcante, claro. Sou uma pessoa muito familiar, gosto de estar com os meus amigos. É treino-casa, casa-treino. Gosto de acompanhar o meu filhote e a minha vida passa muito por aí.



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