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Foco no penta com o Agosto antes de voar com os Gaviões em setembro


Estórias Made In é uma rubrica do Maisfutebol que aborda o percurso de jogadores e treinadores portugueses no estrangeiro. Há um português a jogar em cada canto do Mundo. Este é o espaço em que relatamos as suas vivências. Sugestões e/ou opiniões para djmarques@mediacapital.pt ou rgouveia@mediacapital.pt

Paulo Duarte está a treinar o 1.º de Agosto, pode ser campeão do Girabola no início de julho, mas em setembro já sabe que vai treinar a sua terceira seleção em África no seu currículo, o Togo. Fomos falar com o antigo central que depois de ter feito praticamente toda a carreira de jogador na União de Leiria, onde também começou como treinador, partiu para o continente africano em 2008, há já treze anos e nunca mais voltou.

Encontrámos Paulo Duarte em Luanda, neste período de transição, totalmente focado em conquistar o pentacampeonato com o 1.º Agosto, «o desafio mais difícil» da sua carreira, mas também já a fazer planos para o próximo passo, o Togo. Depois de já ter sido selecionador dos «garanhões» do Burkina Faso, em três ocasiões diferentes, conseguindo um histórico terceiro lugar na CAN de 2017, Paulo Duarte também já orientou as «panteras» do Gabão e vai agora comandar os «gaviões» do Togo.

Venha daí conhecer um treinador que foi «apadrinhado» por Manuel José, Jorge Jesus e José Mourinho e que está à beira de conquistar o primeiro título no estrangeiro antes de regressar às seleções em nome da família.

O 1.º Agosto é, nesta altura, líder do Girabola com mais dois pontos do que o Sagrada Esperança [menos um jogo], como está a correr esta experiência em Angola?

– Está a correr bem, mas é provavelmente um dos projetos mais difíceis que tive na vida, para minha surpresa. Não falando dos problemas da covid-19, que tem os seus contras para toda a gente, entrámos num projeto de um clube que tem como grande objetivo ganhar o pentacampeonato, num momento em que o clube se tornou vendedor. Vendeu praticamente todo o seu ataque. Vendeu o Ary Papel para o Egito (Ismaily), o Nelson da Luz ao V. Guimarães, o Zito Luvumbu para o Cagliari e perdeu o médio ofensivo nigeriano Ibukun [Afinfenwa], que era um excelente jogador. Portanto, desfez-se praticamente de todo o ataque.

É um ano em que o 1.º de Agosto está a apostar mais na formação, é isso?

– É isso, vendeu as mais-valias e teve como objetivo atacar o pentacampeonato com os jogadores de formação. É isso que está a acontecer. Estamos a apostar na formação, estamos a ter resultados, está a dar os seus frutos. Não estamos a apostar com tanta quantidade na formação, mas sim de uma forma gradual. Pensei numa estrutura que permitisse lançar os jovens com alguma estratégia e com alguma ponderação, mas a realidade que encontrámos aqui foi diametralmente oposta. Precisámos de meter os miúdos a jogar porque as aquisições para o ataque não foram aquelas que estávamos à espera. Não foram ao nível de um grande clube, portanto obrigatoriamente tivemos de apostar nos miúdos e estou a falar de miúdos de 17, 18, 19, 20 anos.

E tem encontrado qualidade nessa juventude?

– Temos encontrado muitos miúdos. Tenho de enaltecer o trabalho aqui feito por antigos treinadores portugueses da formação. Nomeadamente o nosso grande amigo Dionísio Castro, que é o coordenador aqui da formação, e antes dele o Joaquim Teixeira. O 1.º Agosto tem lançado grandes jovens, mas infelizmente estavam tapados porque não havia uma grande aposta no futebol sénior. Este ano foi o inverso. Chegámos a ter numa convocatória catorze jogadores da formação, alguns já com 23 ou 24 anos, mas todos da formação. Chegámos a ter um onze com quatro jogadores entre os 17 e os 21 anos, portanto isso demonstra o quanto a aposta nestes miúdos foi intensa.

O Girabola é um campeonato com muitas polémicas. Já se queixou que os adversários ganharam muitos pontos na secretaria, como é que isso acontece?

– Essa é uma das grandes contrariedades que estamos a ter. Este ano é ano é o mais importante para o 1.º de Agosto em termos de ambição desportiva, quer ganhar o Penta. Quando digo que é projeto mais difícil da minha vida, é por isso, é o ano em que encontramos todas as dificuldades. Dificuldades covid, dificuldades por aquisições falhadas, o objetivo de lançar jovens, em que havendo qualidade, há sempre imaturidade, os jovens têm de cometer erros. A agravar há ainda mais estas surpresas ou irregularidades que têm existido no campeonato. Temos dois adversários em cima de nós [Sagrada Esperança e Bravos do Maquis] que já ganharam, pelo menos, oito pontos na secretaria.

Mas como surgem esses pontos na secretaria?

– Não quero usar a palavra ridículo, mas é um pouco surrealista. Equipas que perderam os aviões e não há reajuste do calendário. Automaticamente a federação atribuiu a vitória a essa equipa. Outra equipa jogou com um jogador teoricamente irregular, depois o clube apresentou uma rescisão com o clube anterior que era verdadeira. A federação aceitou uma inscrição, deixou um jogador jogar durante catorze jogos e ao fim de quinze jogos diz que a rescisão é irregular, porque a rescisão não era verdadeira, retira os pontos a essa equipa e foi dar os mesmos pontos aos nossos concorrentes diretos que tinham perdido pontos com essa equipa. Depois o mesmo jogador que estava irregular continua a jogar. Ninguém percebe. Se está irregular, não pode jogar, tem de se tirar a licença, mas continua a jogar. O que é um facto é que os nossos adversários têm sido beneficiados com muitos pontos na secretaria. Os Bravos do Maquis já ganharam oito pontos na secretaria, o Sagrada Esperança também já teve três ou quatro pontos. A realidade é que toda a gente ganha na secretaria e o 1.º Agosto tem de fazer pela vida.

De qualquer forma, faltam onze jornadas para o final, o 1.º Agosto é líder, pode ser o seu primeiro título como treinador no estrangeiro?

– Sim, tirando a Taça Intertoto com a União de Leiria, será o primeiro. Fui o primeiro português a vencer a Taça Intertoto (em 2007) quando derrotámos o Maccabi Netanya de Israel. É um título, não é um título muito falado porque é uma taça algo escondida que a UEFA tem. Mas ao nível de campeonato pode ser o primeiro sim, a minha aposta ao vir para aqui era também essa. Não sendo um campeonato com tanta visibilidade como na Europa, é uma equipa que tem muita projeção. O 1.º Agosto está em grande crescimento e vinha à procura de títulos.

Mesmo com a perspetiva de poder vir a ser campeão, já tem planos para mudar a sua vida a partir de setembro, vai treinar o Togo. A que se deve essa mudança?

– É com muita pena minha e muito custo porque estou a gostar de estar cá. Fiquei surpreendido com Angola e principalmente com Luanda. O clube também me surpreendeu pela sua estrutura, pela sua dimensão, pelo seu palmarés. Havia uma proposta de renovação em cima da mesa, mas por razões familiares, em que a distância é inimiga do ambiente familiar, decidi aceitar o convite do Togo. Nos últimos dez/doze anos tenho estado quase sempre com seleções, tive uma passagem por França (Le Mans) e outra pela Tunísia (CS Sfaxien) ao nível de clubes, mas essencialmente tenho trabalhado com seleções. Numa seleção, consigo estar a trabalhar e estar ao pé da família, estando num clube em África, com a covid-19 [quando se vem da Europa para aqui tem de se estar em confinamento por dez dias], isso impede de nos viajar para ver a família e torna-se mais complicado. O ambiente familiar não foi o mais adequado para que pudesse continuar aqui. Assim sendo tive de coadjuvar as duas vertentes, a vertente profissional com a vertente familiar, surgiu esta proposta do Togo, já tinha tido outra de uma outra seleção que rejeitei. Também cheguei a rejeitar o Congo porque era para ir já, queriam que eu rescindisse, pagavam a rescisão, mas disse que não. Quero acabar o contrato, quero ser campeão, queremos oferecer o pentacampeonato ao nosso presidente. Mas se me quiserem em setembro, não há problema nenhum. Foi o que aconteceu, em setembro serei o próximo selecionador do Togo.

Como vai ser a sua vida a partir de setembro, vai viver para Lomé?

– Vou acabar o campeonato aqui, vou dez ou quinze dias de férias e depois de estar livre – o meu contrato com o 1.º de Agosto acaba a 31 de agosto – irei começar a trabalhar com a seleção do Togo.

O Paulo já tem uma larga experiência com selecções africanas, já trabalhou com o Burkina Faso, em três ocasiões diferentes (2008/09, 2010/11 e 2016/18), e com o Gabão (2012/13). Já conseguiu um terceiro lugar na CAN em 2017, que expetativas é que guarda para o Togo?

– Vai ser um trabalho difícil, vou começar com uma equipa histórica em África, não é uma equipa do top-ten, mas já esteve por cima durante algumas décadas. Teve uma presença num Mundial [em 2006], teve jogadores de referência [como Emmanuel Adebayor], mas está numa fase difícil. Já não vai há CAN há duas edições consecutivas e isso demonstra o quanto o futebol do Togo está algo paralisado. É de lamentar ir entrar numa competição, que é a fase de qualificação para o Mundial2022, que vai ser realizada em três meses. Setembro dois jogos, outubro dois jogos e novembro outros dois jogos. Não vou ter tempo para trabalhar jogadores, não vou ter tempo para procurar jogadores na Europa. Vou ter de me agarrar àquilo que tenho. A mensagem tem de ser passada de forma rápida. Se fosse uma qualificação de um ano, teria tempo para selecionar os melhores jogadores, ver à volta de cem a duzentos jogos para ver quem era quem. Sendo assim, vou ter de andar a correr.

O Togo está no Grupo H da fase de qualificação que tem um dos favoritos africanos, o Senegal, além do Congo e da Namíbia.

– Sim, o Senegal é nesta altura uma das equipas mais fortes de África. Não só pela sua qualidade, mas pelo peso que tem junto das instituições como a CAF (Confederação Africana de Futebol).

Nos últimos cinco jogos, o Togo ganhou apenas um. Que seleção espera encontrar?

– Houve ali uma tentativa de renovação. Há jogadores de média qualidade, jogadores com défice de confiança e motivação. Falta ali muita motivação. Também é uma equipa com dificuldades em constituir uma defesa, tem poucas opções. Tem muitos avançados, tem muitos pontas de lança de boa qualidade. Tem três, quatro ou cinco avançados de boa qualidade, mas depois há desequilíbrios na equipa que têm de ser resolvidos o mais rápido possível.

Há muitos jogadores do Togo a jogar em França, também em Espanha e Alemanha, vai ter oportunidade de viajar para os observar?

– Nesta primeira fase não vou ter tempo para isso. Não vou ter tempo para analisar os jogadores que estão fora, não vou ter tempo para convencer esses jogadores binacionais. Muitos não querem jogar pelo Togo. Era esse tempo que precisava. Mesmo que não tenha tempo para o Mundial, vou fazer depois para a CAN, o nosso grande objetivo é estar presente na próxima CAN em 2023 ou 2024.

O Paulo já esteve em três fases finais da CAN, o grande objetivo será somar uma quarta participação com o Togo?

– Numa primeira fase não será fácil. Quero é qualificar a equipa, se conseguir isso, quer dizer que consegui reorganizar o futebol, quer dizer que consegui formar um onze de futuro. Depois disso vir à CAN é dar consistência a essa equipa para que a equipa possa estar em muitas CAN e que possa ir o mais longe possível.

Boa parte do futebol africano era controlado por treinadores francófonos, o Paulo conseguiu meter aí uma lança ao ser eleito pelo Burkina, depois pelo Gabão e agora pelo Togo. Foi difícil conquistar esse espaço? Encontrou muitas resistências?

– Conseguimos interromper um ciclo de grande procura de treinadores francófonos. África depende muito da França, mas felizmente tenho tido sucesso desde há treze anos, consegui impor-me, consegui entrar num continente difícil. Muita gente pergunta-me, mas porquê África e não Europa? Não é que tenha a obrigação de estar em África, mas África dá-me condições que não tinha em Portugal. Dá-me estabilidade de vida que não tinha em Portugal. Quando vi para a primeira seleção, estava a iniciar a carreira de treinador, saí da União de Leiria e fui ganhar cinco vezes mais. É um facto. Mas não era só o ordenado, era a possibilidade de poder trabalhar com os melhores jogadores do mundo, com o Drogba (costa do Marfim), o Eto’o (Camarões), poder jogar contra eles. Estar presente em grandes competições. Para treinar os melhores do mundo teria de estar ou num clube grande ou em grandes campeonatos e isso no início de carreira não foi possível e abracei este continente com esse objetivo. Felizmente tive o meu sucesso e espero continuar a tê-lo porque sinto-me bem. Apesar de ter como objetivo querer mudar de ares, como já mudei, já estive na Ligue 1 em França [com o Le Mans] e depois regressei a África, mas gostaria de experimentar outros campeonatos.

O Paulo, como jogador, fez praticamente toda a carreira na União de Leiria, mas teve a sorte de ter apanhado uma grande escola de treinadores portugueses. Foi treinado pelo Manuel Cajuda, Quinito, Vítor Oliveira, Manuel José, Mário Reis, José Mourinho e depois também foi adjunto de Jorge Jesus e Domingos Paciência… O que reteve mais destes treinadores todos, quais as suas grandes referências no início da carreira?

– São todos referências, todas as experiências são de tirar proveito, mas talvez três maiores pelo que mais retive. Nitidamente o José Mourinho, um dos grandes obreiros daquilo que sou hoje. O Jorge Jesus também e o Manuel José também. Penso que consegui tirar o melhor de cada um deles. Todos são diferentes, cada um tem características diferentes dos outros, mas são três grandes treinadores do nosso futebol. O Manuel José e o José Mourinho foram responsáveis por abrir portas além-fronteiras, fora do nosso país e fora do nosso continente. O trabalho de excelência deles conseguiu dar visibilidade ao treinador português.

Mantém uma relação de amizade com José Mourinho? Lembro que quando qualificou o Burkina Faso para a meia-final da CAN em 2017 recebeu um telefonema de Mourinho, lembra-se dessa história?

– Tenho prazer de ter essa relação, tenho prazer do José Mourinho fazer o favor de ser meu amigo porque quando estamos lá em cima não nos faltam amigos e o Mourinho está lá em cima e dá-me a honra de ser amigo dele. Sou amigo de todos. Sou também muito amigo do Jorge Jesus, falo muitas vezes com o Jorge Jesus. Também sou muito amigo do Manuel José, falo muito também com ele. Nesse aspeto sou um felizardo, sou um avantajado pela sorte porque consigo ter a atenção e o carinho destas três pessoas.

O treinador português está um pouco na moda, há grandes treinadores portugueses em grandes clubes, mas também nas seleções. Temos o Paulo Bento na Coreia do Sul, o Paulo Sousa na Polónia, o Hélio Sousa no Bahrein, o José Peseiro na Venezuela, o Carlos Queirós acabou de sair da Colômbia…

– Era o que estava a dizer. O treinador português nos últimos dez anos conseguiu-se impor fruto dessas portas que Carlos Queiroz, Manuel José e José Mourinho abriram. Deve-se muito a eles. Nos últimos cinco anos o treinador português disparou a nível de qualidade. Apareceu bem, depois conseguiu convencer tudo e todos. O que é um facto é que não há lado nenhum em que não haja três ou quatro treinadores portugueses que ganhem títulos internacionais.

Mesmo em África, além do Paulo Duarte [Togo], temos o Horácio Gonçalves [em Moçambique], o Pedro Gonçalves [em Angola) e o Toni Conceição [nos Camarões]…

– Exatamente, estamos a conseguir conquistar território. Sempre fomos um país conquistador noutras áreas, portanto agora no futebol também estamos a conseguir conquistar muito território em vários pontos do mundo e isso é claramente a prova que o treinador português tem qualidade e excelência.

O Paulo sente-se mais confortável no papel de selecionador do que há frente do clube? É que nos clubes nunca esteve muito tempo. Começou na U. Leiria [época e meia como treinador principal], depois teve curtas experiências em França [Le Mans] e na Tunísia [CS Sfaxien], antes de chegar agora ao 1.º de Agosto [Angola].

– Não há treinadores de seleções ou de clubes, há treinadores e até me sinto melhor a treinar clubes. Gosto do trabalho dia-a-dia, gosto de ter jogos todos os fins de semana, gosto da pressão semanal. A seleção aconteceu porque tinha de acontecer. A seleção simplesmente consegue dar-me mais qualidade de vida, mais tranquilidade a nível familiar, mas tira-me aquilo que é a essência do treinador, que é o trabalho do dia-a-dia, o trabalho da pressão, o cheiro da relva diário. Preferia estar num clube, futebolisticamente, profissionalmente, mas a nível familiar, nesta altura, é mais conveniente uma seleção. Daqui a dois ou três anos, quando os meus filhos já estiverem crescidos, provavelmente poderei estar mais tranquilo a treinar clubes. Mas é como digo, não há treinadores de I ou II Liga, como não há treinadores de seleção ou de clubes. Há bons e maus treinadores e os projetos são para se abraçar em função daquilo que as pessoas estão disponíveis para abraçar ou não.

Mas em África o papel do treinador é mais exigente do que na Europa. É preciso formatar o jogador taticamente, enquanto na Europa já chegam com algumas noções. É um produto mais bruto?

– É um trabalho muito mais exigente e muito mais complexo, muito mais injusto. Às vezes temos de os ensinar a jogar, não temos de dar tática, temos de reconstruir, não temos de educar, temos de ensinar o bê-á-bá. Quando já temos implementado um sistema, ou um modelo de treino ou um modelo de jogo, tem de haver um ensino semanalmente ou diariamente. Estar a ensinar jogadores com assimilação mais rápida, é algo que não se perde e pode-se avançar para outros patamares mais rápido, mas em África tens de estar sempre a recomeçar aquilo que já foi começado há muito tempo. O fiscalizar, andar sempre em cima, o repetir, a progressão é mais lenta. Quando queremos ir para outra etapa temos de ir buscar a etapa anterior porque a assimilação não é tanta.

A seleção do Togo

Por outro lado, também há matéria-prima. Já encontrou algum jogador acima da média?

– Quando cheguei a Angola falei muito com o Dionísio Castro, é um dos nossos homens de casa, está cá há oito ou nove anos, e deu-me nomes que de início não acreditei. Deu-me nomes de miúdos em que eu não via nada, estava focado nas inscrições e noutros jogadores. Mas quando comecei a olhar para eles, comecei a ver que aquilo que me foi oferecido, entre aspas, aquilo que me foi posto a observar, realmente tinha pernas para andar. É prova que em África há muita qualidade, na formação há muita qualidade. Nos campeonatos não há muita qualidade, já estão muito espremidos, o que é bom sai logo, o que é bom os empresários metem logo na Europa. França consome muito de África, a Alemanha e Bélgica também. Portugal também começa a consumir muito de África. Agora o produto bruto está todo nas camadas jovens, esses estão sempre a aparecer, com 14, 15, 16, 17 anos. Há muito futebol de rua, coisa que já não existe em Portugal. Aqui os miúdos acordam com uma bola de manhã e só acabam de jogar à noite.

O Togo tem muitos jogadores em França, esses já chegam com outra bagagem?

– Sim, há muitos nas segundas ligas, alguns nas primeiras. Eu até tenho bons jogadores, é uma equipa com uma média de idades já alta, na casa dos 30 ou 31. Tenho jogadores com 32, 33 e 34 anos. Quando for fazer a próxima CAN já vão ter 34, 35, 36 anos. É algo que tenho de pensar seriamente e equilibrar em termos de renovação. São jogadores experientes, com alguma bagagem, mas o jogador africano tem sempre uma particularidade, têm sempre o dom do facilitismo e o dom de ouvirem muita informação e muito desleixo que tem de ser cortado.

Para fechar, podemos dizer que o Paulo Duarte já é um especialista no futebol africano, com toda a essa experiência?

– Tenho de dizer que sim, é o meu mundo, é um mundo que conheço, posso dizer que tenho algum conhecimento de África.

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