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Champions: Manchester City-Chelsea, 0-1 (crónica)


Glória eterna!

O cidadão comum nasce, vive e morre para depois subsiste no coração daqueles que o amam. Porém, há um restrito lote que tem direito a viver infinitamente e a atravessar um punhado de gerações. São os que se elevam à condição de heróis.

Cada um tem os seus heróis, indiscutivelmente. Esta noite, o Olimpo do Futebol abriu-se para deixar entrar o Chelsea que bateu o Manchester City (1-0) e conquistou a segunda Liga dos Campeões da sua história.
 

Os jogadores dos blues ganharam, por isso, estatuto de lendas para os adeptos

Pela primeira vez desde setembro, o Dragão voltou a ter público. Uma decisão que atesta a falta de coerência tão portuguesa e que prova que é a UEFA quem dita as regras.

– Público nos estádios em jogos da Liga? Impensável – respondem as autoridades competentes.

– Mas é para a Champions- diz a FPF.

– Aí é? Venham eles. Até 17 mil não há problema – responde quem decide.

Manchester City e Chelsea não têm culpa da nossa habilidade para encarar cada coisa na perspetiva mais conveniente.

Mas vamos ao jogo. Por fim, houve futebol. E como este desporto é maravilhoso! Olhos no relvado, ouvidos nas bancadas do Dragão.

Apesar de não ter tanta bola, o Chelsea foi melhor na primeira parte e poderia ter chegado ao intervalo praticamente com o troféu nas mãos não fosse o tamanho desperdício de Werner.

O avançado germânico é o seu pior inimigo: é exímio na desmarcação, encontra o espaço ideal, mas quando chega a hora de finalizar, mostra-se demasiado ansioso. Foi assim por duas vezes, em plena área: na primeira vez falhou a bola, à segunda ofereceu-a a Ederson.

A ideia de Guardiola era fácil de perceber, talvez mais difícil de contrariar. O catalão colocou Zinchenko na equipa inicial, em detrimento de Cancelo, para ter o ucraniano no meio-campo quando tinha posse de bola. De Bruyne e Foden passavam pela posição «9» enquanto Mahrez e Sterling colavam-se às linhas laterais.

No entanto, não havia espaços para jogar no meio-campo ofensivo. O Chelsea controlava a largura e os espaços por dentro, portanto o City ficou apenas com a profundidade para chegar com perigo à baliza de Mendy. Num passe sensacional de Ederson, Sterling viu Chilwell roubar-lhe uma assistência para golo.

O génio de De Bruyne pouco se viu. Antes de sair com «olho à Belenenses», o belga apenas apareceu por uma vez: destacou Foden e o inglês viu Rudiger negar-lhe o golo com um corte brutal.

Na resposta, o Chelsea marcou num lance que começa… em Mendy. O guarda-redes levantou para Chilwell, Kyle Walker saiu à pressão e o lateral tocou em Mount. Inteligente, o internacional inglês viu a autoestrada do lado oposto – Zinchenko ainda estava a recuperar posição – e isolou Havert. Ao contrário de Werner, o ex-Bayer Leverkusen mostrou ter gelo na veias e bateu Ederson.

Justíssimo!

O Manchester City alterou ao intervalo sem mexer na equipa. Os médios colocaram-se mais por fora, Foden aproximou-se de De Bruyne e os extremos jogaram mais perto da área. Porém, os planos de Guardiola saíram gorados quando o belga teve de sair por lesão.

Foi quando o campeão inglês teve Gabriel Jesus na equipa que conseguiu a melhor jogada da partida. O brasileiro fixou a defesa contrária e combinou com Foden com este a disparar por cima. Apesar das melhorias, o City nunca pareceu confortável no jogo.

Por outro lado, o Chelsea esteve perto de fazer o 2-0 e acabar, definitivamente, com a final: Havertz deixou Pulisic com tudo para ser herói, mas o norte-americano atirou ao lado na cara de Ederson.

Os «citizens» começaram a desesperar e foram com tudo à procura de um momento épico que atirasse o jogo para prolongamento. Nem Aguero conseguiu voltar a ser o herói que o City precisava. 

Tal como aconteceu no passado recente, o estreante na final da Liga dos Campeões saiu de mãos a abanar e sem a tal glória eterna



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