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Boavista-Tondela, 1-1 (crónica) | MAISFUTEBOL


Falta de eficácia, falta de extremos e falta de qualidade no núcleo de centrais. Em poucas palavras, estes são alguns dos maiores defeitos do Boavista 2020/21, uma equipa que teve de fazer 22 remates para fazer um golo e evitar uma derrota injusta na receção ao Tondela (1-1).

A formação axadrezada soma assim um ponto – com uma grande vírgula, pois necessita urgentemente de mais – e chega aos 30, ficando a um do Rio Ave mas ainda no 16.º lugar e já com o Famalicão mais longe, após a vitória frente ao Santa Clara.

A equipa beirã, mais tranquila na tabela classificativa da Liga, resistiu graças à inspiração do guarda-redes Pedro Trigueira e ao instinto goleador de Mario González, que passou demasiado tempo afastado da área. Ao Boavista, como acontece em diversas ocasiões, valeu a raça para compensar a tremenda ineficácia.

FILME DO JOGO

Jesualdo Ferreira repetiu o esquema com três centrais, dois alas, três médios e Angel Gomes no apoio a Alberth Elis. Porém, a aglomeração no meio tornou evidente a falta de soluções nos flancos, ocupados apenas pelos laterais (Cannon e Mangas) e esporadicamente por Elis, que procurava preferencialmente a direita.

O Boavista entrou por cima no jogo, precisamente graças ao explosivo Alberth Elis, mas Pedro Trigueira respondeu aos primeiros ensaios axadrezados com categoria, mantendo a sua equipa na discussão do resultado.

No Tondela, o problema era outro. Pako Ayestarán decidiu apostar em Strkalj para a frente de ataque e desviou Mario González para o flanco esquerdo, provocando o evidente desconforto do espanhol, sem capacidade para desequilibrar numa posição que lhe era estranha.

A formação beirã conseguia equilibrar a meio-campo, tapando espaços pelo centro e obrigando o Boavista a iniciar movimentos de ataque com a variação de flanco de um dos centrais, maioritariamente Chidozie, para um dos laterais, maioritariamente Cannon.

Quando os axadrezados ultrapassavam a zona de pressão do Tondela, como aconteceu em diversos momentos, a defensiva vacilava e permitia diversas oportunidades de golo. Porém, Alberth Elis não conseguia finalizar o que ia criando, muito por culpa de Pedro Trigueira.

Atento aos sinais da primeira parte, Jesualdo Ferreira retocou a estratégia e lançou o Boavista para o seu melhor período, passando do 3x5x2 para o 3x4x3, com Gustavo Sauer na frente, pela direita, e maior pendor ofensivo dos laterais.

Foi um período de verdadeiro sufoco para os visitantes, que viram Trigueira negar o golo a Paulinho (49m) e Elis (60m). Pelo meio, Mangas não conseguiu aproveitar a maior falha do guarda-redes contrário, cabeceando em falso ao segundo poste.

Sem surpresa, o Tondela melhorou quando Pako Ayestarán trocou Strkalj por Rafael Barbosa, devolvendo Mario González ao corredor central. O espanhol até desperdiçou a melhor oportunidade dos visitantes (69m), atirando fraco e à figura de Léo Jardim, numa fase em que se tornava cada vez mais evidente o nervosismo entre os locais.

O Boavista, com urgência de pontos, subia no terreno mas ia denotando crescente insegurança. E foi precisamente pela zona mais débil – o centro da defesa – que a equipa do Bessa sofreu um rombo. Ao minuto 77, o recém-entrado Ricardo Alves colocou a bola entre os centrais e Mario González, a provar que aquele é o seu habitat natural, finalizou com segurança perante Léo Jardim.

Jesualdo Ferreira aumentou a pressão, com recurso ao banco de suplentes, e viria a ser feliz já ao minuto 85. Pouco depois de Medioub ter negado o festejo a Yusupha, Nathan provocou um desequilíbrio à direita e cruzou para a finalização – finalmente certeira – de Alberth Elis, repondo algum sentimento de justiça no resultado.



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