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Amorim vai tornar campeão o miúdo que fazia 800 kms ao fim de semana


«O Tomás Silva também deverá tornar-se campeão nacional. Ele pode não continuar connosco, ajudou-nos muito a preparar os jogos, a fazer de adversário nos treinos, e é uma forma de o premiar. É um jogador que fez todo o percurso no Sporting e que eu e a estrutura achamos que merece ter esta oportunidade como exemplo do que deve ser um jogador da formação do Sporting.»

Afinal, quem é Tomás Silva, o jogador da equipa B do Sporting que Ruben Amorim anunciou, nesta terça-feira, que vai tornar-se campeão nacional.

O Maisfutebol foi atrás da história do médio ofensivo de 21 anos e teve de andar muito. 13 anos e 400 quilómetros, mais propriamente. O tempo de ligação de Tomás ao Sporting e a distância que separa Alcochete de Viana do Castelo.

Isso mesmo. É em Viana do Castelo que encontramos o berço de nascimento e o berço futebolístico de Tomás Silva.

Foi no clube que lançou Francisco Trincão e Pedro Neto que Tomás começou a jogar, aos cinco anos, e onde permaneceu até aos oito.

Uma captação dos leões viu naquele miúdo potencial e uma conversa com os pais dele convenceram a família a iniciar uma ligação marcada desde sempre por muita dedicação.

Porquê? Porque a partir do ‘sim’ dado aos leões, o pequeno Tomás começou a fazer 800 quilómetros ao fim de semana para correr atrás de um sonho que pode vir a concretizar nesta quarta-feira.

Durante quatro anos, Tomás fez a viagem entre Viana do Castelo e Alcochete dezenas (centenas?) de vezes para jogar de verde e branco.

O ritual era sempre o mesmo: cumpria a distância entre Viana e Gaia, onde o esperava o autocarro que ia buscar os jovens jogadores do Sporting ao Norte; dali, entrava numa viagem de várias horas até à Academia de Alcochete, onde jogava à tarde para, ao fim do dia, cumprir o caminho inverso.

Todos os fins de semana. Para jogar ao lado de nomes que também chegaram ao plantel principal dos leões, como Rafael Leão, Miguel Luís ou Daniel Bragança.

Tomás Silva, à direita de Daniel Bragança que ergue a Taça ao centro; atrás de Tomás surge Rafael Leão

Na Academia tudo corria bem… até cair a noite

Ao fim de quatro anos e muitos quilómetros percorridos, Tomás deu um passo que teve tanto de importante como de difícil. Deixou o ninho em Viana do Castelo para… voar. Passou a viver em permanência em Alcochete, algo que confessou ter sido duro.

«Confesso que o primeiro ano foi um pouco complicado. Senti a falta da família, dos amigos de sempre. Era muito jovem e por vezes sentia uma certa solidão», recordou, em 2019, ao Jornal Sporting.

E o mais difícil… era quando deixava o relvado.

«Durante o dia entretinha-me, sobretudo por causa dos treinos. O pior era mesmo à noite», acrescentou, sublinhando que as amizades que foi fazendo ajudaram atenuar as saudades da família.

Dentro de campo, a qualidade continuava a sobressair.

Diz quem o conheceu desde os primeiros momentos em Alcochete que as características de Tomás o tornavam num líder natural, razão pela qual foi sempre um dos capitães de equipa.

À inteligência e capacidade técnica, juntava uma personalidade que lhe permitia afirmar-se junto dos colegas. Bem como a exigência tanto com ele próprio, como com os restantes companheiros.

Pelo caminho, foi campeão nacional de juvenis e de juniores, tendo chegado à equipa de sub-23 em 2018 e por lá permaneceu duas épocas, tendo marcado 10 golos em 67 jogos.

Esta época foi um dos indiscutíveis na equipa B, que ficou à porta do play-off de subida à II Liga, com três golos em 26 jogos.

A isso, juntou o trabalho ‘invisível’ mas valioso nos treinos com a equipa principal. De tal forma que na provável despedida de um clube que representa há 13 anos, vai sair pela porta grande.

Tomás vai cumprir, pelo menos em parte, «o maior sonho enquanto futebolista»: jogar em Alvalade.

Mas não vai apenas jogar em Alvalade. Vai fazê-lo com a camisola da equipa principal e nem que jogue apenas um minuto, vai sair de campo com o título de campeão nacional. Só vai faltar uma parte do sonho: «jogar com o estádio cheio».

Ainda assim, acreditamos que cada um dos 800 quilómetros que percorreu todos os fins de semana durante aqueles primeiros quatro anos de Sporting vai valer a pena.

O sonho vai tornar-se realidade. E ele vai ser o exemplo a ser seguido por tantos miúdos que vão querer escrever uma história como a dele.



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