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De carrasco do FC Porto às mãos de atores de Hollywood (por culpa da Netflix)

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Rob McElhenney acabou de ver um episódio de Sunderland ‘til i die e teve um impulso incontrolável: «Quero comprar um clube de futebol.»

O excelente documentário exibido pela Netflix, que acompanha ao longo de duas temporadas as desgraças do histórico emblema do norte de Inglaterra, mexeu com as emoções do ator e argumentista de uma das mais bem-sucedidas sitcoms norte-americanas dos últimos tempos: It’s Always Sunny in Philadelphia.

«Lembro-me desse momento. Estava sentado no sofá, a ver a série sobre o Sunderland. E estava a apaixonar-me por essa equipa, por essas pessoas, pela história. Virei-me para a minha mulher e perguntei-lhe: ‘O que achas de eu me meter no mundo do soccer?’»

Rob McElhenney e Ryan Reynolds, os protagonistas da história

Rob tem 44 anos, nasceu precisamente em Filadélfia e nunca mostrara antes qualquer interesse pelo futebol europeu. Ao longo daquelas noites, o artista criou um elo de ligação fortíssimo com o Sunderland e decidiu replicar a aventura noutro clube.

O problema, assume em palavras à BBC, era a absoluta ignorância sobre a modalidade. «Honestamente, aquela foi a primeira vez que entendi o conceito de subidas e descidas. Nem sabia que a pirâmide desportiva funcionava assim. Abri o meu computador e pesquisei tudo sobre o tema: quem desce, quem sobe, quem se mantém. E decidi entrar nesse mundo.»

McElhenney é um nome respeitado nos meandros de Hollywood. Mas precisava de alguém mais famoso para acompanhá-lo neste investimento. Alguém, assume, também mais rico. E assim surge o nome de Ryan Reynolds, o ator que se celebrizou sobretudo com a interpretação em Deadpool.

«O mais curioso é que nós nunca estivemos juntos. Eu e o Ryan. Conhecemo-nos através das redes sociais e começámos a trocar mensagens. Depois de convencer a minha mulher, e de ela me perguntar se eu conseguiria dividir o protagonismo com o Ryan, lancei-lhe o desafio. A resposta dele foi incrível: ‘Estou dentro, telefona-me’.»

Cindição ‘sine qua non’: ganhar sempre ao Chester

Em fevereiro de 2021, o negócio foi finalizado e anunciado: Rob McElhenney e Ryan Reynolds tornaram-se nos proprietários do velhinho Wrexham Football Club, o emblema galês que milita atualmente na National League, o quinto escalão britânico.

Porquê o Wrexham? Rob dá algumas pistas. «Nós não podíamos adquirir o Liverpool ou o Sunderland, nem o City ou o United. Por isso pensámos numa equipa mais pequena, para depois tentar subi-la até à Premier League.»

No protocolo estabelecido entre os famosos de Hollywood e a direção do Wrexham foram estabelecidas algumas condições. Inegociáveis. Rob e Ryan já depositaram dois milhões de euros nas contas do Wrexham e comprometeram-se a fazer ao longo da próxima época os seguintes investimentos:

1. Criar um novo centro de treinos

2. Requalificar todo o perímetro do Racecourse Ground, o estádio do Wrexham

3. Ganhar todos os jogos contra o Chester – o maior rival

Ryan Reynolds e Rob McElhenney ainda não conseguiram visitar Wrexham, pequena cidade no País de Gales. As limitações impostas pela covid têm adiado essa intenção, mas o primeiro já afirmou, através das suas contas oficiais nas redes sociais, que os adeptos galeses vão ficar cansados de tanto o verem.

«Queremos ser dois grandes embaixadores do Wrexham. Queremos apresentar o clube ao mundo e torná-lo numa potência do futebol britânico. Queremos voltar a encher o estádio e fazer com que as pessoas de Wrexham tenham orgulho em nós.»

O Wrexham ainda luta pela subida à League Two

Rob garante, de resto, que a relação dos atores com o clube será próxima e muito aberta. Nada a ver, portanto, com as ligações mais ou menos obscuras de outros milionários e multimilionários com o mundo do futebol.

«Nunca pensei que seria um dia o tipo que fica no sofá a gritar de alegria depois de um empate 0-0. Agora sou. O Wrexham está num lugar de acesso ao play-off de subida [à League Two] e tudo se decidirá nos próximos três jogos. Acredito que podemos subir já este ano.»

Ryan e Rob querem ser vistos como funcionários do clube e não como proprietários. E rejeitam qualquer entrada futura numa Superliga inventada à pressa.

«A Superliga Europeia foi um erro atrás de outro erro. Não é isso que as pessoas querem e já aprendemos isso. Sou um americano que nasceu em 1977, em Filadélfia. Como é que podia ser o dono de um clube tão grande fundado no século 19? O clube é das pessoas que o amam, a cidade é que o possui.»

1984: o ano em que o Wrexham chocou o Estádio das Antas

O Wrexham Football Club viveu os seus melhores dias no final da década de 70, início da década de 80. Em 1978, os Red Dragons foram campeões da terceira divisão e competiram no segundo escalão britânico. Nessa mesma temporada chegaram aos quartos-de-final da FA Cup.

O acesso às provas da UEFA foi conseguido por ser o melhor representante da federação do País de Gales. Foi nessa condição que se qualificou em oito ocasiões e que na temporada de 1975/76 chegou aos quartos-de-final da extinta Taça das Taças.

E foi também na Taça das Taças que na temporada de 1984/85 chocou o futebol português, após eliminar o FC Porto – que tinha sido finalista vencido na edição anterior – logo na primeira ronda da defunta prova.

A 19 de setembro de 1984, o pequeno Wrexham recebeu e venceu o FC Porto, já de Artur Jorge, por 1-0: golo de um tal de Jim Steel, com o falecido Petar Borota na baliza azul e branca.

A desvantagem aparentava ser perfeitamente reversível. Nas Antas, a 3 de outubro de 1984, o escândalo: o FC Porto chega rapidamente ao 3-0 (dois de Fernando Gomes e um de Jaime Magalhães), mas adormece antes do intervalo e sofre dois golos. Paulo Futre ainda faz o 4-2 aos 61 minutos, só para Barry Horne deixar o estádio em choque com o 4-3 final, no minuto 90.

VÍDEO do 4-3 do FC Porto ao Wrexham nas Antas:

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