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Zlatan, e a “casa cor-de-rosa”…

“A casa cor-de-rosa”…

Se Zlatan quer algo…

Como é que Zlatan Ibrahimovic comprou a casa dos seus sonhos em Malmö?!

É uma história que vale a pena conhecer!

“A minha casa dos sonhos, é a casa cor-de-rosa.

Eu sempre sonhei com aquela casa, mas não passava de um miúdo pobre, filho de emigrantes e que vivia em Rosengård (um bairro social).

Muito anos depois, já como futebolista profissional, eu e a Helena (a sua companheira), costumávamos andar de carro pela cidade e atribuíamos valores às casas.

Era uma coisa tonta, mas era divertido e precisávamos de uma casa decente na cidade.

E fizemos uma lista, onde tínhamos o nosso “top-ten”.

E qual foi a casa que ficou em primeiro lugar?

A casa cor-de-rosa em Limhamnsvagen (uma zona nobre da cidade).

Mas ela não tinha ficado em primeiro, por causa dos meus velhos sonhos de criança….

A casa é realmente maravilhosa.

Para mim, era a melhor casa de Malmö, mas é claro que existia um problema…

Viviam pessoas lá, e elas não queriam vender a casa de forma alguma.

O que é que tu podes fazer numa situação destas?!

Esse era o problema. Essa era a grande questão.

Decidimos não desistir.

Comecei a pensar…

Talvez, fazendo uma proposta que eles não possam recusar (risos)…

Não, não estou falando de enviar alguns dos meus amigos com que cresci em Rosengård…para irem lá falar com eles (risos)!

Isto era uma coisa para ser feita com estilo.

Um dia, a Helena estava no “IKEA” e encontrou-se com uma amiga.

E já sabes como são mulheres..Começaram a falar…

Meteram-se a falar da casa cor-de-rosa e a amiga da Helena disse:

“Oh, alguns bons amigos vivem lá.”.

E a Helena ficou surpreendida:

“Estás brincando comigo?! O Zlatan adora aquela casa desde criança.

Podias marcar um encontro com eles?”.

E a amiga da Helena, disse que ia fazer os possíveis.

Algum tempo depois, a amiga telefonou e explicou-nos a situação.

Disse-nos que o casal não queria mesmo vender a casa e que não havia maneira de os convencer!

Que eles gostavam de viver lá, que os vizinhos eram muito simpáticos e amorosos, que a relva era tão verde, que a vista para a praia de Ribersborg era fantástica, que a Øresund Strait era incrível, e todas estas coisas do costume…

Blá, blá, blá…

Eu dei instruções à amiga da Helena, e disse-lhe que não ia aceitar esta resposta por parte deles.

Se eles quisessem continuar a ficar ali, independentemente, da quantia que estávamos dispostos a pagar, teriam de dizer isto na minha cara.

E não seria tão divertido conhecer o Zlatan e a Helena, enquanto tomávamos todos um café?

Nem toda a gente pode fazer isso (risos)…

E eles claramente pensaram que seria uma experiência divertida, então, lá fui eu e a Helena, mas eu já sabia que tinha a mão mais forte!

Assim que atravessei aquele portão, senti-me pequenino e grande ao mesmo tempo.

Senti-me como aquela criança pobre, que ficava sempre olhando para aquela casa e para as outras casas da zona, e, que agora já era uma grande estrela.

De início, meti-me com a Helena vendo tudo, e só ia dizendo:

“Muito bonito, muito bem, que bela casa que vocês têm aqui….”.

Portei-me bem, fui educado, e essas coisas todas (risos)…

Durante o café, já não me consegui conter mais e disse:

“Estamos aqui, porque vocês estão vivendo na minha casa!!!”.

E o dono da casa começou a rir-se, como se me estivesse dizendo:

“Que engraçado, já se sabe que estamos vivendo na nossa casa…”.

Eu tinha dito aquilo numa espécie de piada, como se fosse uma frase tirada de um filme.

Ele riu-se, mas eu continuei:

“Você pode rir-se se quiser, mas eu estou falando muito a sério.

Eu quero comprar esta casa, e posso assegurá-lo, que você vai ficar feliz.

Esta casa tem de ser minha!”.

E ele começou dizendo as m*** do costume, que a casa não estava à venda, sob nenhuma condição.

Ele parecia muito convencido, ou fingiu, que estava muito firme.

Mas, agora, que consigo rever a cena, era como se eu estivesse negociando na Bolsa. Era tudo um jogo.

A casa tinha um preço para ele.

Conseguia ver isso nos olhos dele, sentia isso na atmosfera e continuei a explicá-lo o meu raciocínio:

“Eu não quero falar muito, nem sei negociar nestas situações.

Eu sou um futebolista, não sou um agente imobiliário!

Vou enviá-lo um fulano, para chegarmos a um acordo.

O senhor tem que ter um limite algures.

Vou enviar um advogado, porque não quero que fique pensando que sou algum idiota, que simplesmente desperdiça o seu dinheiro.

Sou cuidadoso.

Não sou uma pessoa que paga qualquer preço, nada disso.

Quero pagar o que é justo e o mínimo possível.”.

Depois, eu e a Helena fomos para casa e houve um pouco de drama.

Tínhamos de esperar…

Mas lá apareceu a chamada:”Eles vendem por 30 milhões de coroas suecas!”.

E já não havia mais nada para discutir…

Pagámos os 30 milhões (3,5 milhões de euros), e honestamente, por todo esse dinheiro, acho que eles saíram da casa correndo (risos)!!

Tinha conseguido.

Claro que não foi de graça, tivemos de pagar para ele sair da casa…

Isto foi só o começo.

Ficamos malucos, renovando a casa.

Não podíamos tocar em nenhuma aresta da casa, não podíamos colocar o muro do jardim mais alto…

A autarquia dizia sempre que não.

O que é que podíamos fazer?

Queríamos uma parede mais alta.

Por causa dos jornalistas e dos fãs mais malucos, aqueles que te perseguem, senão, iam passar a vida a olharem para nós.

Então, baixamos o nível do nosso plano.

Começamos a ir à reuniões da autarquia, onde se decidiam as alterações e onde estavam os nossos vizinhos ricaços.

E aquilo não era popular.

As casas daquela zona, geralmente, são passadas como herança.

O dinheiro do papá paga tudo, e ninguém com as minhas origens…alguma vez tinha ido viver naquela zona!

É só gente de m***, armados em bons e com dinheiro de gerações.

Ninguém que falasse como eu, ou que dissesse as coisas que eu digo.

É gente, que diz coisas como: “a casa das pessoas malvadas.”.

Quando eles falam de certos temas, dizem, “distinto” e “extraordinário”.

Eu não me aguentava. Ria-me…

A Helena é que tinha de lidar com aquilo…

Queria mostrar a esta gente, que um fulano como eu, estava ali com o seu próprio dinheiro!

Isto foi importante para mim, desde o início.

E não estava à espera que alguém me fosse aplaudir…

Apesar disso, fiquei surpreendido com os vizinhos:

“O que é que eles fazem aqui? Eles fazem isto, e depois fazem aquilo?”.

Eles passavam a vida nisto. Queixavam-se.

Nós não queríamos saber, e lutamos, até transformar aquela casa em tudo o que tínhamos sonhado.

Foi a Helena que fez quase tudo, ela foi incrível, foi até a vários museus, e não sei o que é que ela fez mais…

Também, não quero saber…A casa ficou como eu tinha sonhado (risos).

Eu não estive tão envolvido.

Não tenho paciência para estas coisas, mas houve uma grande contribuição que eu dei!!

Pendurei um grande quadro na entrada da casa, onde podes ver dois pés sujos.

Quando os meus amigos estão de visita, começam todos a dizer:

“Que espectáculo! Que casa! Que bela casa que vocês têm aqui…

Mas o que é que fazem aqui estes dois pés nojentos? Como é que podes ter esta m*** na tua parede?

E eu repondo sempre:

“Vocês são mesmo uns idiotas…Foram aqueles dois pés, que pagaram isto tudo!!”.

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