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“Humano, demasiado humano”…

É “D10´s”, mas é sempre humano, demasiado humano!!…

E consegue ser tão eloquente fora do campo, como era dentro do campo.

Quando lhe apetece!…

É algo próprio da natureza humana, julgar os outros com demasiada facilidade, com uma certa leviandade.

E os futebolistas estão sujeitos aos mesmos desgostos que qualquer pessoa.

Existem coisas que o dinheiro e fama não resolvem…

Diego Armando Maradona:

“Eu tive uma relação com a minha velha, muito maior, muito mais especial, do que com o meu velho.

O meu pai é um anjo divino, belo, mas ele não é de muitas palavras…

Portavas-te mal e já estavas apanhando (risos).

Um dia contei isto à minha filha, à Giannina, e ela começou a chorar e disse:

“Porque é que o avô batia-te?!”.

Ele dava-me, e dava-me bem…

Eu amo o meu velho.

Hoje, quero compartir cada vez mais coisas com ele.

Na semana que vem, vou pescar com ele!

Vê só…

Mas com a minha velha, era um amor que não te consigo explicar.

Eu dizia sempre a mesma frase:

“É uma pena que o velho tenha chegado antes, porque senão, eu é que me casava contigo.”.

Quando existia algo para comer em casa…

Algo (risos)!!

Ela dizia: “cuidado, não comam tudo, deixem algo para o Diego”..

Eu chegava, e ela dava-me de comer, mesmo que ela não comesse para que eu pudesse alimentar-me…

Porque não havia para todos!

Não havia comida para todos…E essa era a nossa realidade.

O meu pai trabalhava para nove bocas!

Lembro-me quando me estreei, que perguntei à minha mãe o que ela tinha achado.

Falei foi com a minha mãe (risos)…

O meu pai?!

Era um fenómeno.

Levava-me aos treinos, quando não trabalhava, via os jogos, mas estava tão cansado, mas tão cansado, coitado…

Nem pedia que ele me desse uma opinião, que me aconselhasse.

A minha velha não me resistia, porque eu fui o primeiro filho dela, depois de quatro raparigas…

Imagina se vem uma quinta rapariga!

Ia ser uma confusão (risos)…

E era um amor tão forte, mas tão forte, que um dia, quando era muito novinho, ela disse:

“O meu filho preferido é o Diego”.

Era uma ligação muito forte.

Um dia, eu fiz uma m*** qualquer!

Acho que estraguei umas sapatilhas…

Nunca contei isso a ninguém, mas vou-te contar.

E o meu pai estava com um pedaço de madeira na mão, esperando-me à porta de casa.

À porta de casa como quem diz…

Umas tábuas e um pedaço de alumínio.

E ele diz-me: “Passa”!

E eu respondi:”Não, não papá, tu vais-me bater…”.

E ele:”Anda, passa!”.

Quando eu vou passar, vejo que ele me vai bater…

E escapo-me com uma finta de corpo!!

Costumo dizer, que foi com ele que comecei a marcar o golo aos ingleses…

Tinha de o fintar!

Porque se ele me agarrava, batia-me a sério.

Isso aconteceu várias vezes.

Naquele mesmo dia, ele apanhou-me mais tarde, atirou-me contra o chão de terra da nossa casa.

Sim, porque o chão da minha casa, era feito de terra (risos)…

E o meu pai…deu-me uma patada, que devo ter voado uns metros!

Eu era pequenino…

Nunca me vou esquecer disso na vida.

E juro-te pelo meu neto…

Escutei a minha mãe dizer-lhe:

“Tocas no meu filho outra vez e garanto-te que quando dormires esta noite, meto-te um punhal no coração!!

Duvidas?

Achas que não te faço isso?

Então, experimenta a tocar no meu filho outra vez…”.

Eu ouvi aquilo e pensei:

“Mamã, salvaste-me a vida.”.

O meu velho, fez-se de idiota, tentou desconversar…

Já sabes como somos…Todos os homens começam a desconversar quando fazem m***…

Foi o que o meu pai fez (risos).

Eu gostava de ter dado um beijo de despedida à minha velha.

Quando todos dizem, que não se deve dar beijos na boca da mãe.

Bem….

Eu beijava a minha mãe na boca como um louco!!

Queria lá saber o que os outros pensavam…

Quando telefonaram-me para o Dubai e disseram-me que ela estava mal, só pedi à minha irmã uma coisa:

“Mantém a mamã viva, até eu chegar.”.

Apanhei logo um avião…

Cheguei ao Catar e a minha irmã passou a minha mãe ao telefone.

E ela disse-me:

“Pequenino, não te vou poder esperar…”.

Eu não sabia o que dizer, mas ganhei coragem e disse algo do género…

“Bem, velhinha, o que vamos fazer?…”.

Prefiro que ela esteja no céu, olhando por nós, do que esteja sofrendo aqui.

Não há dinheiro, não há nada…

É uma dor na tua alma.

Falo sempre dela…

Tenho saudades, não consegui despedir-me e ela deixou o meu velho sozinho…

Sabes o que faço? Sabes qual é o meu truque?!

Quando olho para o meu neto, para a cara do Benjamin, vejo a minha mãe…

A vida é assim.”.

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